Marina Lima

Impossível pensar a música popular brasileira produzida nos anos 1980 sem se remeter à cantora e compositora carioca Marina Lima, 65. Ela é, sem dúvida alguma, um dos principais ícones do pop-rock que se produziu naquele período.

Desde que surgiu com o disco Simples como fogo, em 1979, Marina tem conquistado o coração do público nacional e sedimentado uma carreira que já soma mais de 40 anos de estrada e 21 discos lançados. Aos poucos, foi se tornando uma das principais vozes femininas da MPB.

Há mais de 20 anos, Marina sofreu uma alteração significativa na voz, que acabou modificando sua maneira de cantar. No entanto, isso não significou empecilho para que a artista seguisse produzindo e surpreendendo o público com novos álbuns e shows.

Agora, em 2021, a cantora acaba de lançar o EP Motim em que apresenta quatro músicas inéditas e autorais – Pelos apogeus, Motim, Kilimanjaro e Nóis –, já disponíveis nas mais importantes plataformas digitais, além do songbook Marina Lima – Música e Letra, com download gratuito no site marinalima.com.br, composto por 175 canções, todas transcritas por Giovanni Bizzotto, músico e parceiro da artista desde a década de 1990.

No livro digital, que contém todas as músicas, do primeiro ao último álbum (Novas Famílias, de 2018), os fãs vão encontrar não só as composições da própria Marina, mas também as de outros artistas, como À francesa (de Claudio Zoli e Antonio Cicero), um de seus maiores sucessos.

Por e-mail, a cantora carioca conversou – de forma lacônica – com o A TARDE sobre os últimos trabalhos, novos desafios, música, cultura no atual governo federal e quais artistas admira na nova geração da música brasileira.

Por que um livro com partituras e letras das músicas de todos os seus discos? Qual o propósito?

Porque tenho 21 discos e mais de 200 músicas feitas, ou seja, tenho uma obra e é bom que isso fique registrado.

Por que só lançar esse songbook agora?

Porque só agora acredito ter uma obra. Antes eram poucas músicas, agora com 44 anos de carreira, 21 discos e 65 anos de idade, eis o meu registro pra o mundo.


O que você destacaria nele?

Songbook é a melhor ferramenta para qualquer pessoa, estudante ou não, se aproximar da obra de quem admira. Foi assim comigo, é assim com todo mundo.

Qual a inspiração para essas quatro novas músicas do EP Motim?

R - A minha vida e a vida ao redor.


Você disse em algumas entrevistas que quer encerrar a obrigação de lançar discos. O que vem por aí? Quais os novos desafios?

Trilhas, projetos novos com gente com quem nunca trabalhei e mais músicas autorais. Cada hora, no formato que for conveniente, porque a forma de se consumir música hoje, no Brasil e no mundo, mudou, então o formato muda.

Desde que a sua voz se transformou, você ressignificou a carreira?

Sim. E minha voz está como eu quero agora.

O que te interessa na música hoje em dia?

Ser surpreendida. As pessoas, em geral, têm preguiça de procurar novos temperos ou novas fórmulas, e isso é muito chato. É tão bom quando alguém te surpreende com um som que tem um frescor, que tem uma promessa... e não estamos falando de idade.

Tem acompanhado a nova geração de cantores, cantoras e músicos? Quem você admira?

Alice Caymmi, Letrux, Filipe Catto são os que me ocorrem agora.

O que acha do rumo que a política cultural tem tomado com o atual governo federal?

Não quero ficar aqui falando o óbvio. O que eu quero é que em 2022 haja um quadro mais propício para nós brasileiros, onde a arte, a educação e a saúde sejam valorizadas.

Assim como o youtuber Felipe Neto, você também acha que todo artista precisa se posicionar politicamente, sobretudo atualmente?

Eu gosto quando se posicionam, sobretudo atualmente.

Quais os próximos projetos?

Esperar pra ver.

O que te atrai e te interessa hoje em dia? O que espera da vida?

Igualdade, liberdade e fraternidade.



fonte: atarde